Cálculo Diferencial e Integral: um KIT de sobrevivência
This woksheet is in Portuguese language.
Prof. Doherty Andrade- DMA/UEM
Nesta worksheet vamos falar um pouco sobre séries de potências. Vamos ver um método de decidir a sua convergência e determinar o seu intervalo de convergência.
Introdução
Somatória: notação Sigma
Para inteiros
e reais
,
, ...,
, escrevemos a soma
Teorema 1 : Seja c uma constante (não dependendo de i). então:
a)
b)
c)
OBS : O teorema acima não vale quando a soma é infinita (série). Neste caso é preciso estudar a convergência das séries.
A convergência de séries numéricas é uma questão delicada. Por exemplo,
a série
não converge (sua soma é infinita). Já a série
também diverge, mas por outra razão: ela não tende para valor algum.
> restart:
Veja 6 somas e os seus resultados.
>
[Sum(1, i=1..n), Sum(c, i=1..n), Sum(i, i=1..n),
Sum(i^2, i=1..n), Sum(i^3, i=1..n), Sum(i^4, i=1..n)];
> factor(simplify(value(")));
>
Sum(1/(i+1), i=1..6) =
`1`/`2` + `1`/`3` + `1`/`4` + `1`/`5` + `1`/`6` + `1`/`7`;
>
Sum(j^2, j=n..n+3): " = value(");
Exercicios
1- Escreva na notação sigma :
a)
b)
2- Encontre o valor da soma
>
Sum(3^(j+1), j=1..6): " = value(");
3- Encontre o valor da soma
> Sum(4, i=1..100) = 4*Sum(1, i=1..100); lhs(") = value(rhs("));
4 - Encontre o valor da soma
> Sum(i^3 - i - 2, i=1..n):" = simplify(value("));
5--Soma telescópica
>
Sum(1/i - 1/(i+1), i=3..99)= `(1/3 - 1/4) + (1/4 - 1/5) + (1/5 -
1/6)` + `.`.`..`+ `(1/98 - 1/99) + (1/99 - 1/100)`;
> Sum(1/i - 1/(i+1), i=3..99): "= value(");
via maple
>
Sum(1/i - 1/(i+1), i=3..99): " = value(");
6-- Encontre o limite
>
Sum(2/n * ( (2*i/n)^3 + 5*(2*i/n) ), i=1..n): " = expand(value("));
>
map(Limit, ", n=infinity); Lim_limite:=value(rhs("));
>
unassign('a', 'i', 'r');
>
Sum(a*r^(i-1), i=1..n): " = simplify(value("));
7-- Calcular na mão
8--Escreva a soma de Riemann na notação sigma
>
Sum(f(x[i])*Delta*x[i], i=1..n) = f(x[1])*Delta*x[1] +
f(x[2])*Delta*x[2] + `.`.`..`+ f(x[n])*Delta*x[n];
> Sum(3/2^(i-1), i=1..n): " = simplify(value("));
>
equivalently:=6*(1-(1/2)^n);
9-- Soma dupla
> Sum(Sum(i+j, j=1..n), i=1..m): " = factor(simplify(value(")));
Séries de Potências
Uma série de potências é uma expressão da forma:
Como exemplo simples, tomemos a seguinte série
.
Note que seus termos formam uma progressão geométrica. Assim, fica fácil determinar o valor da sua soma.
Ou seja,
( * )
Esta série converge quando
pertence ao intervalo [-1,1).
Note que podemos usar esta série para determinar a soma de outras. Vejamos um exemplo:
Tomando
, e usando (*) obtemos que a série vale
Note que a série
também pode ser calculada usando a igualdade (*) , para isto basta tomar
no lugar de
para obter
Vejamos algumas séries importantes;
> Sum((x^n)/(n!), n=0..infinity):" = simplify(value("));
> Sum((-x)^n, n=0..infinity):" = simplify(value("));
> Sum((-1)^(n)*(x)^(2*n+1)/(2*n+1)!, n=0..infinity):" = simplify(value("));
> Sum((-1)^(n)*(x)^(2*n)/(2*n)!, n=0..infinity):" = simplify(value("));
> Sum((-1)^(n+1)*(x)^(n)/(n), n=1..infinity):" = simplify(value("));
Uma aproximação para
Para este exemplo vamos operar formalmente com as séries, não se preocupando com as convergências.
Como
e como
então temos que
Para o casoparticular de x=1, temos que
. Assim, temos
Convergência de séries de potência
No caso de séries numéricas alguns resultados são importantes e úteis para o estudo das séries de potências:
Teste de D'Alembert ou da razão :
seja
uma série numérica. Se
<1
então a série numérica converge absolutamente.
Teste de Cauchy ou da raiz :
seja
uma série numérica. Se
<1
então a série numérica converge absolutamente.
Dada uma série de potências
pode acontecer um dos seguintes fatos:
1) a série converge absolutamente para todo
real.
2) a série converge apenas quando
3) existe um R>0 tal que a série converge absolutamente se |x|<R e diverge se |x|>R.
Ao número R chamamos de raio de convergência da série da série de potências.
Em 1) o raio R é infinito. Em 2) o raio é R=0 .
Como determinar o raio de convergência?
Façamos um exemplo. A série
tem termo genérico dado por
Calculemos o limite quando n tende ao infinito de
Neste caso o limite é
. Deve ser menor do que 1, para a série convergir (veja o teste da razão ou o teste da raiz). Isto ocorre desde que |x| <3. Segue que R=3.
A série
tem raio de convergência
Verifique isto.
Há ainda outra forma de determinarmos o raio de convergência:
Tomemos o limite, quando n tende ao infinito do coeficiente do termo geral da série, L=
então o raio de convergência é
No exemplo anterior devemos calcular o seguinte limite
> restart:
> Limit(abs((-2)^n/((2*n)!))^(1/n),n=infinity):"= 2*limit( 1/((2*n)!)^(1/n),n=infinity);
Segue que o raio de convergencia da série é
.
Agora voltemos ao nosso primeiro exemplo:
> Limit(abs(1/(n*3^n))^(1/n),n=infinity):" = (1/3)*limit( 1/(n)^(1/n),n=infinity);
Segue que o raio de convergencia é R=3.
Note que para cada
no intervalo de convergência, a série determina uma função. Neste caso dizemos que a função é representada por uma série de potências.
Propriedades das séries de potências
Derivação termo a termo:
dada uma série de potências
,
com intervalode convergência I. Suponha que
para todo x no interior do intervalo I .Então, a
tem derivada dada por
Integração termo a termo:
como as hipóteses acima,
tem uma primitiva
Todas com o mesmo raio de onvergência.
Construindo séries de potências de uma função dada
Existe uma maneira de obter a série de potências de uma função dada.
O método é devido a Taylor e a MacLaurin.
Dada uma função
a série dada por
onde
denota a n-esima derivada de f em
é chamada de série de Taylor de f em torno do ponto
Quando
, a série é chamada de MacLaurin.
Vamos ilustrar a convergência da série de Taylor para a função que lhe deu origem.
Vamos ilustrar a convergência da série de Taylor de uma função limitada e definida sobre o intervalo (-1,1).
Podemos escolher o número de termos da série e ver uma animação de como os termos da série que são gradualmente adicionadas aproximam cada vez mais a função .
> restart:
> with(plots):
> af:=(t,k)->Heaviside(t-k)*(t-k)-Heaviside(t-1-k)*(t-1-k);
O número de termos da série de Taylor que consideramos é N=20.
> bf:=array(0..20);
Entre com a função
que deseja ver a aproximação.
> f:=x->cos(2*Pi*x);
> for i to 20 do bf[i]:=evalf(subs(x=0,diff(f(x),x$i))) od:
> ts:=(x,t)->1+sum(bf[n]/(n!)*af(t,n)*x^n,n=0..20);
Mudamos os valores ulim e llim para refletir a visão no eixo vertical.
> llim:=-2.5;
> ulim:=2.5;
Este comando constrói o gráfico de
..
> ff:=plot(f(x),x=-1..1,color=blue,title=`gráfico de f`):
> subs(DEFAULT=llim..ulim,ff);
Este comando constrói a animação do gráfico da série e o gráfico de
juntos, ilustrando que o polinômio de Taylor
aproxima a função.
> an:=animate({ts(x,t),f(x)},x=-1..1,t=0..20,frames=60,numpoints=100,color=blue,title=`Convergência da série de Taylor`):
> subs(DEFAULT=llim..ulim,an);
Outro Exemplo
> restart:
> with(plots):
>
> g:=x->sin(2*Pi*x);
> ag:=(t,k)->Heaviside(t-k)*(t-k)-Heaviside(t-1-k)*(t-1-k);
> bg:=array(0..20);
> for i to 20 do bg[i]:=evalf(subs(x=0,diff(g(x),x$i))) od:
> ts:=(x,t)->sum(bg[n]/(n!)*ag(t,n)*x^n,n=0..20);
Mudamos os valores ulim e llim para refletir a visão no eixo vertical.
> llim:=-3.5;
> ulim:=3.5;
Este comando constrói o gráfico de
..
> gg:=plot(g(x),x=-1..1,color=blue,title=`gráfico de g`):
> subs(DEFAULT=llim..ulim,gg);
Este comando constrói a animação do gráfico da série e o gráfico de
juntos, ilustrando que o polinômio de Taylor
aproxima a função.
> an:=animate({ts(x,t),g(x)},x=-1..1,t=0..20,frames=60,numpoints=100,color=blue,title=`Convergência da série de Taylor`):
> subs(DEFAULT=llim..ulim,an);
>